Jesus

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Obrigado Senhor por guiar minha vida na direção dos caminhos que preparaste para mim.



terça-feira, 13 de setembro de 2011

Previsões do USDA tiram suporte dos preços de soja e trigo

Melhoras nas estimativas de oferta no Canadá, na União Europeia e na Ucrânia levaram o Departamento da Agricultura dos EUA (USDA) a revisar para cima sua projeção para a produção mundial de trigo nesta safra 2011/12. De acordo com levantamento divulgado ontem pelo ministério americano, a colheita global deverá render 678,12 milhões de toneladas, 0,9% mais que o previsto em agosto para a atual temporada e 4,6% acima do volume de 2010/11.

O USDA também elevou, em 0,3%, seu cálculo para a demanda mundial de trigo em 2011/12 na comparação com a previsão de agosto, para 676,86 milhões de toneladas - 3,4% mais que em 2010/11 -, e os estoques finais globais foram redimensionados para 194,59 milhões de toneladas, 3% acima da estimativa de agosto e 0,6% mais que na temporada passada. No quadro dos EUA, o USDA reduziu sua previsão para as exportações em 2011/12 e, com isso, ampliou os estoques finais do país.

Na bolsa de Chicago, as cotações reagiram negativamente aos novos números. Os contratos com vencimento em dezembro, que ocupam a segunda posição de entrega (normalmente a de maior liquidez) fecharam a US$ 7,2725 por bushel, em baixa de 2,50 centavos. Mas foi uma queda até modesta se comparada à da soja, produto para o qual o USDA elevou sua previsão para a produção global em 0,6% na comparação com o levantamento de agosto, para 258,99 milhões de toneladas - 1,9% menos que na temporada 2010/11.

Diante da manutenção da projeção para a demanda, esse foi o principal fator para a ampliação de 2,6% nos estoques finais em relação à estimativa anterior. O novo número para os estoques (62,55 milhões de toneladas) ainda é 9,1% inferior ao de 2010/11. As correções para os EUA foram modestas, e a projeção para colheita do grão no Brasil em 2011/12 foi mantida em 73,5 milhões. Em Chicago, a segunda posição (novembro) recuou 30,75 centavos e fechou a US$ 13,96 por bushel.

No caso do milho, o departamento reduziu as projeções para produção e demanda mundiais na safra em curso, mas o saldo foi positivo para os estoques finais. Segundo o USDA, a colheita deverá somar 845,67 milhões de toneladas, 0,7% menos que o projetado em agosto, mas ainda 3,7% acima de 2010/11. A demanda total foi ajustada para 861,58 milhões de toneladas, 0,8% abaixo do levantamento de agosto, mas 2,1% maior que no ciclo passado. E os estoques foram calculados em 117,39 milhões de toneladas, 2,5% mais que o volume de agosto, mas 5,6% menos que em 2010/11.

Para o milho nos EUA, o USDA reduziu as previsões para produção, demanda e estoques finais em 2011/12, principal motivo para a alta em Chicago, onde a segunda posição (dezembro) subiu 9 centavos, para US$ 7,4550 por bushel. No quadro do Brasil, a projeção para a produção que ainda será plantada passou a ser de 61 milhões de toneladas, ante as 57 milhões previstas em agosto e as 57,5 milhões de 2010/11.


Fonte: Valor Económico

No curto prazo, safra e serviços devem ter mais impacto na inflação que o câmbio

A recente piora nos índices de inflação ainda não retrata a depreciação do real observada nas últimas semanas, concordam analistas consultados pelo Valor. Eles divergem, no entanto, sobre a influência que a desvalorização pode exercer no aumento de preços, assim como o prazo para que ela aconteça. Ontem, o dólar comercial fechou em R$ 1,708, alta de 1,78% em relação a sexta-feira. Em setembro, a moeda registra valorização de 7,59%. Para alguns economistas, a pressão em serviços tende a ser maior que a do dólar para a inflação doméstica.

A primeira medição de setembro do Índice de Preços ao Consumidor, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) marcou 0,36%, leve recuo frente ao fechamento de agosto (0,39%), mas o indicador segue acima do de julho, que atingiu 0,30%.

A alimentação é o grupo com maior pressão, mas isso ocorre devido a fatores internos, como a entressafra da carne, afirma Antonio Comune, coordenador do IPC-Fipe. "Em geral, demora um pouco para o câmbio bater nos produtos", diz ele. Segundo o economista, os alimentos continuarão a elevar o indicador geral ao longo do ano, mas o índice não terá grandes oscilações no curto prazo em decorrência da valorização do dólar.

A desaceleração do segmento de alimentos (a alta passou de 0,92%, na última medição de agosto, para 0,89% na primeira deste mês) no IPC- Fipe, por exemplo, retrata o cenário que antecedeu a desvalorização do real nas últimas semanas. Para o sócio da RC Consultores, Fabio Silveira, a recente alta do dólar vai aparecer nos indicadores dentro de algumas semanas. "A tendência de baixa está dentro do esperado. O problema é que o preço das commodities está caindo em nível menor do que a valorização da moeda. Essa pressão inflacionária será sentida em um mês, a não ser que o Banco Central segure o câmbio."

Comune concorda que a depreciação do câmbio pressiona a inflação, mas diz que os efeitos serão sentidos somente no longo prazo, diferentemente do que acredita Silveira. Segundo estudo da Fipe, cada desvalorização ou valorização do real em 10% frente ao dólar tem impacto de um ponto percentual em igual sentido na inflação, mas apenas dentro de um ano.

O impacto na cadeia de eletrodomésticos, que tem componentes importados, por exemplo, demora a acontecer, porque já existe um estoque desses produtos dentro do país e as encomendas são feitas com antecedência. Por isso, diz ele, a alta de 2,38% nos eletrodomésticos no IPCA de agosto não foi efeito-câmbio. Ele acredita que a alta do aço explica o movimento, mais do que pressões de demanda.

Ele destaca, contudo, que há reflexos imediatos, mas com peso menor dentro dos índices de inflação, em itens importados prontos para consumo, como bacalhau, vinhos, castanhas etc. "Assim que o vendedor renovar seu estoque, já coloca um preço novo." De acordo com o pesquisador da Fipe, caso o câmbio feche o ano a R$ 1,70, como já preveem alguns analistas, isso terá impacto expressivo no IPCA somente no meio de 2012.

Por outro lado, há quem minimize os efeitos do câmbio. Para Fabio Ramos, economista da Quest Consultoria, outras variáveis são mais influentes na composição dos índices de inflação. "Hoje, ela [inflação] é dominada principalmente por produtos ligados ao setor de serviços e ao nível de desemprego. E em alimentação não entram na conta apenas os preços das commodities no mercado externo. Há também boa parte de produtos sazonais na composição", afirmou, para depois concluir que "atualmente o câmbio está mais valorizado do que as commodities", e "só vai haver problema, se esses produtos subirem junto com o câmbio."


Fonte: Valor Económico